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domingo, 6 de novembro de 2016

Meu filho fala palavrão, e agora?

Não sabe qual a melhor forma de agir na hora que o seu filho fala um palavrão?
Pelo mesmo método com o qual adquirem praticamente todas as outras palavras do seu vocabulário, as crianças repetem os xingamentos que ouvem por aí mesmo sem saber seu significado. Claro que, dependendo da idade do seu filho, ele já sabe que um palavrão é um palavrão, mesmo que não entenda exatamente o que ele significa segundo o dicionário. Se isso anda acontecendo aí na sua casa, você deve estar se perguntando qual o 
melhor jeito de reagir quando seu filho solta uma dessas.
Para a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a solução é ajudar os pequenos a encontrar outras maneiras de se expressar sem ficar repetindo “não pode, não pode, não pode” – como é bem possível que você já tenha percebido por experiência própria, isso não adianta nada. O que fazer, então?

Desestimule sem repreender

Uma criança de 2 anos muito provavelmente vai repetir palavrões que escutou da boca de algum adulto (quem sabe até da sua própria) só por repetir, assim como repete várias outras palavras o tempo todo – é parte do seu processo de estabelecimento da linguagem. Nessa idade, as crianças se divertem muito mais falando palavras escatológicas como “xixi” e “cocô”, porque elas coincidem com a fase psíquica que estão vivendo. Se for o caso do seu filho, a melhor solução é fingir que não ouviu para não ensiná-lo que, falando aquela palavra, ele consegue chamar a sua atenção.
Por volta dos 3 ou 4 anos a coisa já é diferente: mesmo sem saber o que a palavra significa, a criança já consegue entender que ela é ofensiva, e que é errado falar esse tipo de palavra. Nesses casos, a psicóloga Deborah Patah Roz, do Hospital das Clínicas de São Paulo, acredita que os pais não devem ficar bravos, mas compreender que é uma fase normal da criança (assim como a fase das palavras escatológicas). O melhor a fazer é explicar com calma e quantas vezes for necessário que aquela palavra não deve ser dita.
A psicóloga também ensina que não é necessário nem vantajoso explicar o que a palavra significa – isso pode tornar o palavrão ainda mais interessante. Se precisar, diga que é uma palavra inventada, mas deixe claro que é feia e que as pessoas não gostam de ouví-la.

Não dê importância ao palavrão

Se você perceber que seu filho está repetindo um palavrão só para chamar a atenção ou porque percebeu que é algo incômodo e gosta da sua reação, ignore. Com o tempo, ao perceber que você não reage como ele esperava, o palavrão vai perder a graça.
Outra dica importante é não rir – por mais fofo ou engraçado que seja aquela coisinha pequena pronunciando uma palavra pesada que ela não tem nem ideia do que significa, a criança não vai saber que você riu por impulso, e vai associar essa reação positiva à palavra. Isso pode levá-la a repetir o palavrão para fazer graça para outros adultos.

Imponha limites

Se você já explicou, já ignorou, e seu filho continua falando palavrões e causando constrangimentos fora de casa, faça valer suas regras. A pedagoga Maria Ângela Carneiro sugere tirar alguma coisa da criança – deixá-la sem assistir desenhos, tirar a sobremesa, etc.
Outra ideia é utilizar um ‘jarro do palavrão‘: cada vez que seu filho diz uma palavra feia deposita uma moeda no jarro (e não pode pegá-las de volta depois). Se seu filho ainda é muito pequeno e não usa moedas de verdade, você pode fazer fichinhas que ele deposita no jarro cada vez que fala um palavrão, e quando as fichas atingirem um certo número ele perde algum benefício. O mesmo vale para os crescidos – se você acha que os adultos que convivem com a sua família falam muito palavrão e isso está estimulando seu filho a usar palavras pesadas no cotidiano também, faça os adultos depositarem uma moeda no jarro cada vez que soltarem uma palavra inapropriada na frente da criança.

Ofereça outras alternativas

Não importa a idade do seu filho, ensine a ele outras palavras mais leves para extravasar. Se a criança já sabe ler, pode ser legal usar um dicionário para pesquisar outras palavras que ela pode usar quando estiver brava ou se sentindo injustiçada, por exemplo – assim você tira o foco do palavrão e transforma o momento em uma conversa agradável sobre palavras e sentimentos!
Se seu filho for bem pequeno, pode ser que esteja repetindo ou até cantarolando um palavrão que ouviu por aí só pra se divertir. Se for o caso, ensine a ele outra palavra divertida, como ‘abracadabra’, ou mesmo um versinho ou trava-língua.
Outra boa sugestão é criar um ‘palavrão mágico‘ – uma palavra ou expressão inventada que a criança tem permissão para falar quando quiser “xingar”. No seu livro “Crianças francesas não fazem manha”, a autora Pamela Druckerman conta que em Paris existe uma expressão que as crianças aprendem já na escola e que é um ‘palavrão de criança’ (algo como ‘cocô-linguíça’) – dessa forma as crianças não se sentem tão atraídas pelos palavrões dos adultos.
E você, como fez quando seu filho começou a falar palavrões? Compartilhe com a gente seu jeito de lidar com o problema!

Fonte :Site Gestação Bebê

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