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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Starbucks oferece recarga sem fio de baterias Iniciativa prenuncia futuro uso de eletricidade sem fio para comunicações e computação


Em um futuro próximo, a expressão “wireless” significará muito mais que desconectar cabos telefônicos e cabos ethernet de seus gadgets móveis. Pontos de recarga sem fio para esses dispositivos estão aparecendo em cafeterias e lojas de chá em alguns locais. Esforços similares para eliminar os cabos que conectam computadores e monitores não estão muito atrás e acenam com a promessa de salas de estar e desktops desobstruídos, virtualmente livres do emaranhado de fios e cabos.

A Starbucks está colocando esse serviço sem fio no mapa através de um programa-piloto para implantar estações especiais em seus cafés e lojas de chá Teavana. Os clientes podem recarregar smartphones e tablets sobre mesas e balcões chamados “Powermap Spots” (pontos Powermat, em tradução livre) ao colocarem seus dispositivos sobre uma chamada Duracell Powermat, esteiras (ou cartões) que utilizam uma tecnologia de carga indutiva desenvolvida pela marca Duracell da Procter & Gamble e pela empresa Powermat e Technologies, Ltd. Alguns celulares mais modernos, incluindo o Samsung Galaxy S5 e o Asus PadFone X, têm receptores embutidos que lhes permitem “puxar” energia diretamente dessas esteiras. Outros dispositivos precisam ser colocados em uma caixa especial ou requerem um receptor de encaixe (plug-in) para aproveitar a recarga sem fio.

programa foi lançado em 2012 quando a Starbucks começou a equipar alguns de seus estabelecimentos em Boston, Massachusetts, eem San Jose, na Califórnia, com Duracell Powermats. No dia 11 de junho, a Starbucks anunciou o lançamento nacional de Powermat Spots, começando em lojas/cafeterias na Bay Area de São Francisco. A Powermat lançou um programa-piloto similar em novembro de 2013 em cafés da cadeia The Coffee Bean & Tea Leaf, na área de Los Angeles.



Recarregue!

Cabos que conectam dispositivos móveis a tomadas elétricas usam fios condutores para fornecer eletricidade para carregar baterias. Powermats, por outro lado, dependem da indução magnética; a transferência de energia elétrica através de um campo magnético compartilhado pelo dispositivo e a “esteira” (“powermat”).

Uma típica configuração de recarga sem fio inclui vários componentes. O ponto (spot) de carregamento, nesse caso, a Duracell Powermat, por exemplo, serve como um transmissor de recarga sem fio que fornece energia ao dispositivo móvel colocado sobre ele. O transmissor recebe sua energia de uma fonte de alimentação conectada a uma tomada elétrica que fornece de 5 watts a 50 watts de potência para vários pontos de carga ligadosem cadeia. Os próprios dispositivos móveis precisam ter receptores — bobinas de indução que absorvem energia do campo magnético do transmissor e a convertem novamente em uma corrente elétrica para carregar a bateria do dispositivo.

Para que o método de recarga sem fio realmente decole, porém, as empresas de tecnologia que produzem os pontos de recarga e os dispositivos que utilizam esses pontos precisam estar sintonizados. Isso significa seguir um conjunto de padrões que permitam que diferentes dispositivos funcionem em diferentes pontos de carga. A Powermat e a Duracell projetaram sua tecnologia para atender ao padrão estabelecido pela Power Matters Alliance (PMA), [uma associação comercial cuja missão é promover um conjunto de padrões e protocolos pata a transferência de energia sem fio], com membros que incluem a AT&T, a Microsoft e a Qualcomm, além dos fabricantes de smartphones Blackberry, HTC, Huawei, LG e Samsung.

Dois outros padrões de recarga sem fio competem com a versão da PMA. Os aparelhos Lumia da Nokia, por exemplo, aderem ao padrão Qi defendido pelo Wireless Power Consortium. Mas outro grupo, a Alliance for Wireless Power (A4WP), liderada pela Qualcomm, Samsung e vários outros gigantes tecnológicos, apóia um terceiro padrão chamado Rezence, que depende de ressonância magnética, em vez de indução, para a recarga sem fio. O acoplamento magnético ressonante permite que os campos magnéticos de duas bobinas com frequências ressonantes muito parecidas se fundam em um único campo magnético contínuo capaz de transferir energia de um dispositivo para outro a uma distância que varia de alguns centímetros a vários metros.

Uma das vantagens da ressonância magnética é que ela pode ser usada para carregar múltiplos dispositivos em uma superfície muito maior que um único spot, justifica Kirk Skaugen, vice-presidente sênior e gerente geral do PC Client Group, a produtora de chips da Intel. A tecnologia indutiva só permite recarregar um dispositivo portátil por vez, e para isso, ele deve ser colocado em um ponto específico da esteira.

Desconectar

A Intel está trabalhando com a WiTricity Corp., uma empresa ligada ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Watertown, Massachusetts, para desenvolver uma tecnologia de recarga sem fio que possa alimentar uma gama de dispositivos de computação móveis. A Intel, um membro do grupo A4WP, vê o carregamento sem fio como um trampolim para eliminar completamente os fios e cabos para PCs e celulares, algo que Kirk Skaugen abordou na recente feira comercial Computex, em Taipei, a capital de Taiwan.

O chamado streaming [fluxo] sem fio entre pares através de uma conexão semelhante ao Bluetooth poderia eliminar os cabos que conectam monitores e outros displays a PCs e laptops. Com base em um padrão chamado Miracast, essa tecnologia permite a transmissão sem fio de áudio e vídeo para ou a partir de desktops, tablets, telefones celulares e outros dispositivos. Nos últimos anos, a Intel possibilitou esse streaming em determinados dispositivos que usam seus chips. A versão da empresa do Miracast, chamada WiDi, do inglês wireless display, na realidade é um software que rodaem chips Wi-Fi da Intel. Um computador que tenha um chip WiDi habilitado pode transmitir fluxos de conteúdo sem fio, por exemplo, para uma TV de alta definição que tenha um chip WiDi. Em breve o WiDi também será integradoem dispositivos Android e iOS, anuncia Skaugen.

Outro meio para fazer desaparecer fios e cabos de áreas de trabalho em desktops e centros de entretenimento domiciliares é através de uma tecnologia de comunicação sem fio de multi-gigabits de velocidade, conhecida como WiGig. A ideia é conectar todos os elementos necessários para trabalhar ou entreter, inclusive computadores, dispositivos móveis, monitores, teclados, câmeras e mouses a velocidades que tornam até o streaming de conteúdo de alta definição uma opção. Os dispositivos teriam que estar todos no mesmo recinto, mas eles se comunicariam a uma velocidade várias vezes superior à do Wi-Fi.

Skaugen admite que sinais sem fio, tanto faz se são para carregar, estabelecer conectividade com a Internet ou transferir dados, são menos eficientes que os transmitidos através de um cabo. Mas acrescenta que, apesar da perda de energia e de sinal, um aumento das capacidades wireless significa que menos cabos Ethernet, fontes de alimentação e outros fios e cabos acabarão em aterros sanitários.

Fonte: Scientific American Brasil

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